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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

7ª da série "diálogos curtos":

Eu só falei sobre lembranças ruins que me atormentavam. E só falei porque ela me perguntou. Então, ela disparou:

- Se eu fosse como tu, realmente, eu seria muito triste.

Bom, o que essa certeza dela causou em mim evitou que o diálogo prosseguisse. E, por alguns instantes, fez parar também outras coisas...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

6ª da série "diálogos curtos":

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Hoje, dia seguinte ao enésimo desabamento do nosso mundo, dia seguinte ao pedido de tempo e espaço para organizar as ideias, eu resolvi ligar para saber como ela estava:
- Oi!
- Oi...
- Você tá melhor?
Ela pareceu não entender.
- Hã?!
Eu repeti:
- Você tá melhor?
E ela, com um tom de quem não entendia direito o porquê daquela pergunta:
- Melhor de que?...
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Putz!... Como a vida prega peças! Eu nunca imaginei que me faria mal saber que ela não está mal.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

5ª da série "diálogos curtos":

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Primeiro ela me disse que não ia (não interessa para onde) porque estava sem coragem. Disse isso, e me entregou algo, sem abrir o portão para diminuir a distância entre nós. Então, eu resolvi perguntar:
- Sem coragem até para me dar um abraço?
Ela não respondeu, destrandou o portão, abriu-o, e, quando me abraçou, pude perceber que o mundo estava desabando, de verdade.
- Você não tá bem, não? - perguntei.
- Não - respondeu, quase sem voz.
- Por que? - quis saber.
- Eu não sei dizer... - e, depois de um silêncio curto - As coisas só tão piorando.
- Você quer que eu dê um tempinho sem aparecer? - sugeri.
- Não. Acho que boa parte disso é justamente "não aparecer".
- Mas, eu tô te procurando todo dia - eu disse, como quem ainda espera continuar a conversa.
Mas o abraço já estava sendo desfeito e ela se despediu de mim - com os dedos da mão direita, com os olhos, com o corpo. Ela me fez entender que era melhor eu sair dali. Eu não concordei, mas acabei saindo.
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Não importa o quanto a vida esteja bagunçada, há sempre algo que possa cair, sujar, quebrar. Tudo ainda pode ficar um pouco pior. Principalmente quando você ama alguém, e não consegue mais fazer esse alguém feliz...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

4ª da série "diálogos curtos":

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Fui eu que fiz a pergunta, meio despretenciosa, depois que ela só destrancou a porta, mas não a abriu para eu entrar, e virou as costas.

- O que é que tá acontecendo? Será que você tá, naturalmente, me afastando de você?
E ela, sorrindo:
- Eu acho que sim...
Silêncio.
- Eu disse que aconteceria - completou, ainda sorrindo... E ferindo.
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E eu só pude achar que é incrível como ela consegue ficar tão linda sorrindo, mesmo quando seus sorrisos se dão em meio a palavras que me machucam tanto...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

3ª da série "diálogos curtos":

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Pouco mais de uma hora depois do HEXA, ela sentenciou:
- Tu não tá nem com cara de campeão.
E eu:
- Nem tu.
E ela, já que tínhamos que terminar o assunto, "precisou" dizer:
- Eu tô ainda sem acreditar.
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É. Parece, mesmo, que campeão não é só uma condição, é um estado de espírito. E, em se tratando de estado de espírito, não tenho mesmo como estar com cara de campeão. Parece absurdo, eu sei. Mas, o fato é que há algo errado. Muito errado! E eu ainda não consegui corrigir...
Mesmo assim, não tenho como não estar grato ao meu MENGÃO por essa alegria chamada HEXA. Eu posso não ser a mais genuína representação disto, mas a NAÇÃO está feliz...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

2ª da série "diálogos curtos":

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Em meio a maquiagens, fotos e narizes de palhaço, ela perguntou:
- Por que tu tá com os olhos tão tristes?
E eu:
- Tô, é?
E, de novo, como da vez passada, ela fez que sim com a cabeça.
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Ela tinha razão, ou era a maquiagem do meu rosto que transmitia a sensação de tristeza?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

1ª da série "diálogos curtos":

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Parafraseando Caetano, despretenciosamente, eu perguntei:

- O que eu faço para te esquecer?
E ela:
- Nada.
Eu insisti:
- Não faço nada? E se eu não fizer nada, vou te esquecer?
E ela fez que sim com a cabeça.
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Ela estava brincando? Ou será que era eu que estava levando a sério demais?